quinta-feira, 17 de março de 2011

BonjourBonsoir

Bertrand Morane foi o último homem que vigiei.

O Homem que Amava as Mulheres!

Gostei do título, em primeiro lugar. Como diria depois uma amante de Bertrand e responsável pela publicação do livro de memórias que ele escreve no decorrer do filme, é um título que combina com a narração da personagem, nos dá a impressão de alguém que não teme o fato de estar contando uma história, não teme que ela seja real e impetuosa. Uma das coisas legais nesse filme é ele possui narradores, e esse fato, que corre o risco de ser um artifício obsoleto, acaba casando muito bem com toda a trama. Um narrador aparece no início e no final, uma mulher, a tal amante editora de Bertrand, de quem já comentei - cúmplice dele por conhecer todas suas facetas, todos os seus casos e ser ela mesma um caso seu. O outro, no intermédio, é o próprio Bertrand Morane. Ao passo que ele conta suas aventuras com múltiplas mulheres, nos desmistifica da imagem de sedutor implacável, e com um pensamento objetivo, muitas vezes romântico e ingênuo, acaba envolvendo, seduzindo o próprio espectador. De fato, quase como membros de uma relação, deixamos de nos importar se o seu exagero com relação às mulheres é uma patologia, resultado de um trauma infantil, se é uma obsessão ou fruto de ilusões, não nos importamos pois acabamos nos juntando a ele ao observar as pernas das mulheres e os joelhos cobertos-descobertos sob as saias plissadas - e não importa se quem assiste ao filme é homem ou mulher, pois ele faz a observação, a comparação e mesmo o ato do amor parecerem a confecção e a contemplação de uma obra de arte, simultaneamente. Um acidente acaba tirando a voz de Bertrand do nosso alcance, e nos traz de volta a voz da editora como narradora. É aí que percebemos que esta voz, anteriormente

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