domingo, 6 de março de 2011

Conto de 16/10/2010

Mantinha as pernas cruzadas sobre a cama, riscava palavras rápidas em um caderninho enquanto José Carlos me expunha ao telefone os termos de uma renovação de contratos com alguns fornecedores da loja.
- Sei. Temos até as seis horas para decidir? Não, não sei o que fazer. Já disse que não sei o que fazer, porra, só faltava essa também. Mas esse cara está maluco? Ele acha que a gente é palhaço agora?
Maria Luisa não interrompia suas anotações, não levantava os olhos, estava constantemente entretida em colocar para trás os cabelos, alcançar algum objeto na mesa de cabeceira, esboçar imagens sem nexo em folhas de papel ou parágrafos cujo conteúdo me era desconhecido. É verdade, estava sempre ao redor, mas entre os altos e baixos da loja, o dinheiro cada vez mais penado, percebi uma gradativa retirada para suas próprias ocupações e quando estávamos juntos não raramente se alienava esquecendo completamente minha presença. Em um desses dias, entrava em casa com a cabeça latejando de cansaço quando a encontrei sentada no pequeno sofá vermelho de couro gasto. Estava pálida, os olhos ausentes não davam sinais de reconhecer minha chegada, ostentava a mandíbula um pouco frouxa, pernas descruzadas e nenhum vestígio de objetos com os quais poderia estar se ocupando até aquele momento, nenhum livro, nenhum jornal, o telefone celular jogado na mesa minúscula da sala exatamente na posição que estava no momento em que eu saíra do apartamento, havia cinco horas. Não era mais possível, apertei os punhos, não a reconhecia, esfreguei a palma da mão contra a face exausta, mas afinal o que ia fazer da vida? Já não era hora de começar alguma coisa?
- Responda, Maria Luísa, já não está na hora?
Maria Luísa voltou o rosto em minha direção, os olhos um pouco arregalados como fazia ao prestar atenção em algo, percebi então que perscrutava meu rosto feito o de um estranho, sem espanto ou história. Enfim apertou as pálpebras uma vez e depois piscou rapidamente, como se acordasse de um sonho ou tentasse afastar uma imagem da cabeça. Levantou-se, foi até onde eu estava, parecia tentar falar, mas as palavras não lhe saiam e os lábios eram uma trêmula linha involuntariamente definida. Balançou a cabeça e franziu a testa em um pedido silencioso de desculpas antes de retirar-se para o quarto e fechar a porta com um baque seco. Nos dias seguintes, entretanto, começara novamente a se ocupar com pequenas coisas esparsas, chegando até a melhorar seu comportamento em relação a mim e efetuar alguns agrados, colocava os braços ao meu redor enquanto eu trabalhava no computador, estalava beijinhos no meu rosto, eventualmente lançava sorrisos em minha direção. Neste dia, enquanto falava com José Carlos ao telefone, a presença de Maria Luisa já me lembrava a presença vigorosa e arrebatadora da época em que nos conhecêramos, os seus braços pareciam multiplicados em dezenas conforme ela os estendia a fim de ocuparem infinitas funções. No momento em que desliguei o telefone, olhou-me pela primeira vez naquele dia, sustentando as sobrancelhas altas e um sorriso de lado.
- Bebês em conserva.
- Oi?
- Aparentemente é isso que os artistas estão fazendo hoje. – Balançou uma folha de jornal no meu nariz, embora não em tempo suficiente para que eu pudesse distinguir com clareza as imagens impressas.
- Do que você está falando? - Perguntei, apreensivo. – Estão manipulando fetos?
- Não! – Respondeu com um guincho agudo, dando um pulo ofendido na cama – Meu Deus, você acha que eu sou um monstro. Acredita mesmo que eu diria com tanta calma: bebês em conserva, Dr. Frankenstein? Isso eu deixo para os nossos amados da medicina, preste atenção, eu disse é isso que os artistas estão fazendo hoje. Os artistas. São apenas umas bonecas dessas de criança em potes de vidro cheios d’água, com direito até a cabeça desproporcional. – Sentei ao seu lado no colchão, pois enquanto falava com José Carlos me mantivera de pé caminhando de um lado para o outro no quarto. Tomei a página do jornal nas mãos e vi a fotografia referida por Maria Luisa, a indicação de um artista e o caderno em que era possível saber mais sobre a obra.
- Impressionante. – Comentei, por não ter muito que dizer. – Agora, sobre os “bebês em conserva” da medicina, você está falando das células-tronco? Porque se estiver...
- Não, seu bobo. – Respondeu, me encarando como se eu estivesse fazendo piada de algo sério. – Se eu estivesse falando sobre a medicina-monstro, certamente me referiria aos homúnculos presentes dentro do espermatozóide. E nem me venha com teorias céticas de padres italianos, tenho certeza de que já ouvi um chorar. Agora, sobre o que eu estou de fato falando, é um pouco impressionante mesmo.
- Os bebês em conserva? – Analisei novamente a boneca virada de cabeça para baixo no pote, inexpressiva, os olhinhos de um bebê que nunca chegou a abri-los, boiando com todo seu plástico no que deveria ser água. – É, bem. Se nós dermos uma olhada, na realidade ele deve estar falando sobre aborto, com certeza é um artista com alguma opinião forte contra o aborto.
- O que te leva a pensar que é contra? – Perguntou, inclinando o corpo sobre o meu, aproximando o rosto da figura e cobrindo minha própria visão.
- O desconforto que dá olhar para algo assim, acho. Você olha, pensa em uma criança morta e imediatamente sente aversão.
- Pois bem, eu senti foi aversão do artista. Um sensacionalista, isso que deveria ser. Pote de vidro, água e criança? Um pote de vidro e água, claro, e o útero, e a mãe, que se danem. Se são avessos à idéia, se tornam vidro e água, uma maldade sem tamanho. – Pisquei os olhos, franzindo um pouco a fronte.
- Não sabia que você era a favor do aborto, Maria Luísa. – Foi sua vez de piscar os olhos.
- Mas eu nunca disse que era.
O nome, Maria Luísa. Cada um que nos apresentava, e nos apresentaram ao todo cinco vezes no pátio da escola, a chamava de um modo diferente. Esta aqui é a Malu, Luisinha, Marie, Lulu, um de olhos apaixonados agravou a voz ao dizer: Luísa. Todas as vezes ela abria o mesmo sorriso, crescente em cumplicidade silenciosa comigo, ao que eu proferia um tímido e desajeitado muito prazer. Possuía na época cabelos muito escuros e curtos como os de um garoto contrastando com o rosto absolutamente feminino, estava sempre rodeada de várias pessoas, e como estudávamos em uma escola pequena, não raramente ouvia-se o seu riso sonoro abafando todos os outros risos e todas as outras vozes dentro do espaço bastante limitado. Portanto, não é de se espantar que, em um intervalo entre aulas, assustei-me ao vê-la caminhar curiosamente sozinha em minha direção, sentar ao meu lado no banco de metal e lançar-me um meio sorriso antes de morder o sanduíche de queijo em pão integral trazido de casa. Absolutamente pacífica, comia ao meu lado enquanto eu sentia ser mais provável sufocar e cair desmaiado tanto falasse ou não falasse qualquer coisa. Juntando toda a coragem que consegui encontrar, finalmente perguntei:
- Maria Luísa, não é? – Ela arregalou os olhos espantados ao ouvir alguém a chamando pelo nome completo, mas logo seu rosto assentou em um característico sorriso e ela disse:
- Muito prazer.
A partir daí, minhas lembranças relacionadas à Maria Luisa vão se amontoando em série sobre uma espiral vertiginosa, distinguir se subíamos ou descíamos ao longo dela era tanto impossível quanto irrelevante. De qualquer forma, a tenho na memória como se composta de um vitral em que os pequenos pedaços de vidro colorido brilham individualmente se trago de volta uma lembrança isolada, mas a menção aleatória de seu nome é uma imposição insuportável da imagem formada pela complexa composição de todos eles. Possuo guardado um par de sapatos de verniz, uma caminhada pelo centro da cidade, um beijo no seu ombro esquerdo nu e corado, uma mordida em um sanduíche de queijo, uma hospitalização por picada de aranha, três peças de quebra-cabeça encaixadas. Possuo trechos de conversas assaltados por breves obliterações alcoólicas, lembranças difusas de um tempo fundido em época, marcado cronologicamente apenas pelo início e pelos finais, um destes ocorrido, por acaso, na exata noite após a discussão sobre a imagem no jornal.
- Ele precisa esquecer esse negócio de faturamento por mês, eu explicava a José Carlos pelo celular. Não existe essa de faturamento por mês, balancear uma semana ruim com outra boa, desse jeito vão ficando intercalados comodismo, correria e você já viu, as metas mais interessantes nunca são cumpridas. No nosso negócio eu já disse, Zé, não tem jeito, é matar um leão por semana.
- Um leão por semana...- repetiu Maria Luísa, baixinho. Encarava-me de forma insistente já havia algum tempo, mas sua expressão inicialmente distraída endurecia a cada instante.
- A Mariana não faz nada. Falei quando nos encontramos: você não vai fazer as ligações? Mas se dependesse dela, não, não faria nada. Não sei qual é a sua mantendo essa garota, tem uma queda por ela, é isso? – Maria Luisa estendeu o braço e o pousou sobre a minha perna, firme. Fiz com a mão um sinal para que esperasse.
- Se você gosta da garota, a chame para jantar, para sair depois do expediente, o diabo, José Carlos, mas você não afunda um negócio por causa disso.
Maria Luisa aumentou a pressão sobre a minha perna, agora me mirava com mais urgência.
- Espera, Maria Luisa. Não. Não interessa. – Soltei uma risada. – Bom, isso pode interessar, mas ainda assim... – Para ela, foi a gota d’água. Com um tapa, acertou o meu rosto e o telefone, fazendo com que o contato violento entre meus dentes e a língua liberasse o metálico gosto de sangue na boca. Deixei cair no chão o celular e levando a mão até o lado atingido da face fitei-a como se tivesse enlouquecido. Maria Luísa engasgou com uma risada nervosa.
- Ah, Senhora Bovary, perdoe seu pobre Charles, ele sabe não poder competir com León, mas a ama como se pudesse. – Fiz menção de levantar, mas ela sentou em cima dos meus joelhos, tombando molemente o rosto no meu ombro. - Agora um Shakespeariano. – disse com a voz abafada, seu hálito aquecendo a malha do meu moletom. – Qual pode ser? Qual pode ser? Capaz de competir com José Carlos, eu mesma não poderia nunca... Um Shakespeariano poderia ser símbolo, deixe-me pensar em um. – Delineou um sorriso irônico. – Ou seríamos todos nós símbolos de Shakespeare, não o contrário?
- Maria Luisa, pare agora. – Ordenei, tentando esconder o tremor na minha própria voz. Ela pulou do meu colo com a agilidade de um animal selvagem.
- Que trai! A mãe de Hamlet! A grande canalha! E ainda uma tonta, porque traia o fantasma com um assassino e não sabia nem que traía e nem que era assassino. O problema é dela, acabou canalha mesmo assim. Fim, morreu, mas bem, quem não morre em Shakespeare acho que acaba pior ainda.
- Chega! – Segurei seus braços com força, a fim de imobilizá-la. – Preste atenção, olhe para mim, você não está raciocinando. Quer perder esse lugar? Você quer perder esse apartamento? Quer perder as suas roupas? Hem? É isso? É simples, eu paro de trabalhar imediatamente. Se você começar a fazer alguma coisa ou não se importar em perder absolutamente tudo, eu paro de trabalhar imediatamente. – O joelho de Maria Luisa falhou e eu tive que segurá-la com ainda mais força para evitar que caísse no chão. Aos poucos desci com ela até sentarmos no assoalho, a ausência absoluta retornara às suas feições como no dia em que eu a encontrara sentada na sala, mas antes que eu pudesse ameaçar dizer algo, explodiu no choro mais compulsivo e desesperado que eu já havia visto.
Supondo que eu pudesse escolher as cores dos ladrilhos compondo o vitral espiralado da minha memória, aquele destinado ao segundo fim que enfrentei com Maria Luísa seria indubitavelmente vermelho. A festa era extravagante, recepcionada por gente extravagante. O salão, rodeado por janelas cobertas com grossas cortinas vermelhas que praticamente tomavam todo o caminho entre o teto e o chão, se tornava um refúgio perfeito para os convidados contentes em substituir a noite que abarcava dentro de sua escuridão todos os hedonismos, as misérias, os terrores e as inconsciências por aquela que sob a impecável luz de holofotes os trazia alegres canapés e antigas piadas. Estava acostumado com eventos assim, já não os julgava – e se o fizesse, era um julgamento tão cansado que não trazia mais consigo nenhum sentimento especial de aprovação ou revolta. Prontamente à minha chegada escolhia o sofá em que ficaria durante toda a noite, de preferência ao lado do bar, depois passava o tempo observando as pessoas dançarem cada vez mais livremente, rirem cada vez mais alto enquanto o som também em constante ascensão de volume ia fazendo com que as vozes já desnecessárias se tornassem também indistintas. Era quase agradável dar pequenos goles na minha própria bebida e ir sentindo o entorpecimento inverso que ela me causava. A cada hora a extravagância externa aumentava, mas meus ouvidos transformavam em um pacífico zumbido uniforme todos os sons que chegassem neles. As cores, envolvendo ou não pessoas em si, cruzavam-se diante de mim como na cena de apresentação do filme Cidade dos Sonhos, mas sua multiplicidade apenas potencializava minha crescente indiferença. Naquela noite, entretanto, eu estava ainda a algumas horas deste estado quando Maria Luísa, usando vermelho escuro dos brincos ao vestido, surgiu diante de mim e sentou-se no sofá ao lado. Seu rosto, sete anos mais velho, era também sete anos mais calmo e menos vibrante. Tons de palidez haviam sido habilmente encobertos por maquiagem cuidadosa e um fácil sorriso, ao menos esse já conhecido meu. Senti as palmas das mãos esfriarem.
- Então, esta é a sua solução para noites assim? – Indicou meu copo com a cabeça, levantando uma sobrancelha com ironia divertida.
- Você não pode me julgar. – Respondi, corrigindo a rouquidão da voz com um pigarro. – Se freqüentasse noites como essa tanto quanto eu, teria também sua solução.
- Ora, como pode negar a boemia dos patês de camarão e de uma música tão revolucionária?
- Vou ser honesto com você, meu inglês moribundo não consegue captar o significado das letras, mas a melodia só me faz querer pegar em armas para apontá-las contra minha própria cabeça. – Fui surpreendido pela naturalidade com que já conseguia lhe falar. Maria Luísa riu um pouco, mexendo com a ponta dos dedos o cabelo bastante mais curto do que há sete anos, quando saíra do nosso apartamento para não retornar mais.
- Está velho. Acusou, rapidamente corrigindo com bom-humor:
– Estamos velhos. Vou ser honesta com você também. Venho muito a lugares assim. – Franzi o cenho.
- Não me diga. Trabalho ou lazer?
- A não ser que eu considerasse suicídio um lazer e me unisse a você. Trabalho. – Sorriu com um lado só da boca. – Esposa. Lá, aquele belo rapaz de camisa listrada azul, honrando com sobriedade a sua inteligência. – Apontou para um homem de estatura relativamente baixa postado em uma roda, derrubando inadvertidamente champanhe no chão ao dobrar-se para dar risada de algo que algum dos companheiros dissera. Já havia visto em uma revista seu rosto redondo e os incomuns óculos de aros grossos, era um conhecido artista plástico. Ao que eu conhecia, suas obras tendiam a ser mais espalhafatosas do que significativas.
- Lucas Caloni é seu marido? – Ela assentiu com a cabeça, parecendo divertida com a surpresa mal dissimulada no tom de voz que eu empregara.
- É. É bom viver com ele. Um excêntrico terrível, tem crises de mau humor como uma criança. Passo a maior parte do tempo cuidando dele, curando seus bloqueios criativos como quem coloca band-aid em uma ferida. Pensando bem, - Disse, como se uma idéia tivesse acabado de lhe atravessar a mente.– em vários aspectos ele se parece com uma criança. Curioso, já que não podemos ter filhos. De qualquer forma, não deixa de ser uma rotina agitada.
- O que você quer dizer com não ter filhos? – Questionei, o asseio em abordar o assunto sendo vencido pela curiosidade.
- O Lucas é estéril. – Respondeu, inexpressiva. Durante um curto momento nenhum de nós se moveu, momento que serviu para que eu fixasse para sempre na memória a estranha profundidade que me causava a retidão de seu olhar. Em seguida, ela ergueu as duas sobrancelhas, aparentando preocupação:
- Estou sendo indiscreta? A sua presença, - Fez um movimento com a mão direita no ar, como se espantasse um inseto em câmera lenta. – e além do mais eu nunca sei exatamente o que...
- De forma alguma. – Interrompi, para tranqüilizá-la. Acenou afirmativamente, deitando as costas no apoio da poltrona e deixando cair para trás a cabeça. Seus brincos vermelhos faiscaram ao encontrarem luz durante o trajeto. – Você não me disse qual era a sua solução. – Pontuei, para retomar o assunto e assistir ao sorriso que, como previsto, voltou animado ao seu rosto.
- É verdade. – Corrigiu a coluna e levantou o queixo. – Bem mais saudável do que o seu. Fecho os olhos, tento me concentrar no som de um saxofone nos anos 30, um saxofone absolutamente destruidor. Então mentalizo uma enorme pirâmide asteca e me imagino subindo sua escadaria de pedra incessantemente, sem nunca chegar ao topo. – Dei risada.
- Isso não é verdade! – Afirmei, e ela riu junto comigo.
- Tem toda razão. Me pegou na mentira. – Suspirou, fingindo decepção por ter sido descoberta. – Na realidade, não é necessário fechar os olhos.
- Por que pirâmides astecas?
- As egípcias estão muito longe, não seriam verossímeis. Além disso, os astecas tem uma visão bonita sobre a liberdade. - Encolheu os ombros.- Eu não tinha, então resolvi usar a deles. - Sorrimos tristemente e eu senti uma onda arrebatadora de carinho pela mulher à minha frente, uma vontade de pegá-la pela mão, de lhe beijar, trazê-la para casa uma noite, depois uma manhã e todas as seguintes. Engoli seco ao perceber que nenhum de nós sorria mais.
Maria Luísa levantou do sofá, abri a boca para pedir que ficasse mais um pouco, mas fui incapaz de dizer qualquer coisa.
- Vou deixar você aqui, para seus publicitários poderem comê-lo vivo. – Brincou, novamente tomada pela ironia divertida. – Fiquei feliz quando soube que a loja havia se tornado as lojas, e gente tão metida a besta fazia propaganda assim barato só por gostar de freqüentar, foi um bom trabalho.
Agradeci, sem deixar de notar que ela acompanhara de longe o acontecido. Maria Luísa virou de costas e se direcionou à roda de Lucas Caloni. Enquanto a observava se afastar, com o vermelho refletido por todos os objetos ao nosso redor dançando sobre sua pele, voltei a dar pequenos goles na minha bebida.

Nenhum comentário:

Postar um comentário