quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Quando o viu pela primeira vez, estava sentado adiante em um dos sofás do bar de um hotel em Serra Negra. O senhor lançava olhares de breve impaciência para um casal que discutia onde ficava localizada a Capela Sistina. A esposa afirmava veementemente ser em Madrid, enquanto o homem sustentava estar na Itália. Mariana observava desinteressada a discussão, achando graça apenas na angústia crescente do solitário homem taciturno. Era um daqueles tipos que aparecem geralmente em aeroportos ou hotéis, com quem se convive apenas um breve espaço de tempo, suficiente para fazer surgir uma pontada de apreensão, mas não longo o bastante para que se concretizasse um medo. Apesar de tudo, gostou dele e daquela cintura extraordinariamente fina apertada por um cinto marrom, da camisa pólo, os cabelos brancos bem arrumados e até mesmo das manchas arroxeadas sob os pequenos olhos castanhos.
- Vaticano. – Ele finalmente disse baixo e sem encarar o casal nos olhos, fazendo um trejeito com a cabeça. O que poderia parecer excentricidade, apareceu diante dos olhos de Mariana como uma espécie trabalhada de timidez.
- Boa noite. – disse Mariana ao se levantar, sorrindo com o carinho recém despertado. Levantou os olhos surpresos, como se esses fossem novos olhos surgidos dos antigos, e foi esse olhar que transformou a simpátia de Mariana em reservada admiração.

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