quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Sonho em campos de Jordão, primeiro dia de viagem

É anunciado pelo computador uma festa na frente do meu antigo colégio, Palmares, onde cursei o colegial. Fico sabendo por acaso, abrindo janelas aleatórias da internet. Resolvo aparecer. A primeira imagem é bastante chocante, uma multidão como bloco de carnaval está na porta do Palmares, são rostos conhecidos e desconhecidos, entrelaçados como se nada fosse mais natural. Não consigo me aproximar de ninguém, vislumbro constantemente o rosto da Barbara, mas também não consigo me aproximar dela. A angústia vai me deixando nervosa, com o meu celular ligo para a Lea, amiga desde os tempos do Rio Branco, que me chama de tonta e diz que eu deveria ter ido para Alphaville em uma reuniãozinha que estava havendo lá e para a qual havia me convidade. Agradeço, mas apesar de tentada, sei que estou muito longe e muito envolvida na festa do Palmares para poder deixar o local. Ligo então para o meu pai, dizendo que está tudo uma confusão, que não gosto de ficar lá. Ele vai até onde acontece a festa com um maço de papéis, senta debaixo de uma árvore e diz que para me levar embora eu vou ter que ajudá-lo a organizar algumas informações do seu trabalho. Dando uma olhada nos papéis vejo que o que ele me pede só o prejudicará, tanto quanto não quero fazer nada mesmo, é muito trabalhoso e levaria muito tempo, coisa da qual sentia não dispor. Digo isso a ele e ele concorda comigo, logo em seguida prestando atenção na Pilar, minha amiga do Palmares, que, aparecendo com dois cabides cheios de blusas e lingeries explica como foi o processo de modelagem em que entrou. Com o jeans que eles queriam anunciar, decidi usar um fio-dental, mas eles não tinham nenhum na coleção e o que me conseguiram era barato, explica e meu pai acha graça. Me afasto e sei que pouco depois ele foi embora. Continuo na festa, penso ainda na Barbara, que não apareceu mais desde então. Isso deixa de importar quando encontro com Rodrigo Guedes, Guilherme Reis e Tiago (?), nos sentamos em um restaurante indiano e ficamos conversando em uma cena parecidissima com uma cena de Ciranda de Pedra, mais pelas conversas do que pelo ambiente em si. Uma música indiana não para de tocar, até que um deles diz que a festa mudará de local e todos temos que pegar um avião. Concordo imediatamente, mas me perco deles quando entro no avião. O piloto é um garoto da festa, ele tenta decolar partindo de uma rua de asfalto. O espaço não é suficiente e o avião se torce inteiro na tentativa afobada de subir para ultrapassar uma loja servindo de obstáculo em muito em pouco tempo. Caímos. Sei que muita gente morreu, fico me perguntando quem teria, mas não lembro quais pessoas estavam na festa e era impossível identificar todos sobreviventes. Me pergunto se a Barbara ainda estará viva. Um rapaz abre um buraco no teto do avião em frangalhos e pula para fora dele. Imediatamente é alvejado de balas e cai morto, um clima de pânico se instala. Saímos atrás dele mesmo assim, sentindo que nada seria pior que permanecer no avião. Diversos homens armados e de uniforme lembrando a polícia estão do lado de fora, apontando suas armas para a gente. Demoramos um pouco até entender que o que eles querem evitar é que a notícia da queda do avião se espalhe - para isso, é preciso exterminar quem estava dentro dele. Em grupos ou sozinhos, todos tentamos fugir, encontro e desencontro várias pessoas do Palmares no meio tempo. Mas sempre acabamos sendo cercados, e meus amigos geralmente caíam baleados ou então eram acertados por uma dose absurda de uma substância que age no cérebro, os deixando completamente loucos. Percebo que se me fingir de louca, pouparão minha vida, ainda tendo a chance de preservar a sanidade. Uma mulher-guarda desconfia de mim, e, indo até um quiosque em que abatem pessoas, me dá um problema matemático de alta dificuldade para eu resolver durante o caminho - descubro que as pessoas loucas se tornam extremamente habilidosas em exercícios de lógica. Se eu não resolvê-lo, me matarão assim que eu chegar lá. Não resolvo e ela me entrega para um dos responsáveis do quiosque, para que ele atire em mim. Quando ele se volta em minha direção, vejo o rosto do Luís, um antigo amigo da Rio Branco que não vejo desde que saí da oitava série. Com ele tive uma relação de amor e ódio, o que, como é sabido, geralmente é apenas uma relação de amor. Acho que nossos desentendimentos o ajudarão a atirar em mim, e sofro por isso, já que lembro também que gostei dele como gostei de pouquissimas pessoas. Ele, para minha surpresa, também fica pálido. E me entrega um sapato. O sapato, me explica, pode servir de telefone, e com esse telefone poderia ligar para polícia. Tenho que correr antes que me descubram, apertando o sapato com as duas mãos digo que o amo, que sempre amei, e ele sorri parecendo triste. O sapato me liberta, com a sua posse todos acham que sou um dos carrascos. Pego uma carona com uma garota ruiva e ligo para a polícia, que logo vai para a área do avião e controla a situação. Ligo para Luis com o sapato para avisar , mas na sua sola aparece uma foto dele e as inscrições: esse homem foi morto por ajudar uma das vítimas. Acordo.

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