quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
trecho
É o seguinte. - disse, levantando-se da cama e indo em direção ao menino também jovem que mexia distraidamente no computador. Ele a olhou apenas interessado. - Tem algumas coisas que ficam na minha cabeça. - Trancou os lábios, não gostava quando falava sem coragem e as declaraçoes se tornavam introduções absurdas e pretensiosas. - A expressão do rapaz aos poucos ia sendo fisgada para cima, ele parecia achar graça. - Não, sério. Olha, agora é muito normal nós dois aqui, certo? Parece muito certo, mas um dia não vai ser assim. Um dia você vai ser tudo que poderia ser, e mais algumas coisas que a gente bão imaginava, e vai ter algumas pomadas que hoje não conhece na sua necessaire, talvez alguns quilos a mais, uma profissão talvez não tão lisonjeira, ou melhor, você vai estar tão mergulhado nela que nem vai se lembrar que ela te define como de alguma forma está agora te definindo aqui na minha cabeça. E, o que pode parecer meio absurdo agora, não logica, mas praticamente, nós vamos ter deixado de nos ver faz tanto tempo que eu serei apenas um pontinho do seu passado, bem menos definidor do que sua profissão, é claro, e nossa relação toda vai ser diferente. Quer dizer, você vai lembrar da nossa relação agora e ela vai se configurar de forma totalmente diferente, não vai entender como ficamos juntos por tanto tempo e como você aguentou e eu aguentei algumas coisas que agora é meio difícil de pensar como não aguentaríamos. Entende? O que me deixa meio lunática é estar aqui, nesse quarto com você agora, lendo um livro fantástico na sua cama e você no computador e sentir essa traição do futuro por dentro não me deixando em paz.
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